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Panorama de aplicações de recursos no Brasil nos últimos 30 anos

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Em tempos de eleição uma pergunta surge: 

O quanto sabemos sobre o Orçamento Federal do Brasil?

Além de não saber responder esta pergunta de forma direta, não consegui localizar uma resposta objetiva, através de pesquisas já efetuadas, o percentual ou a parcela da população que tem conhecimento sobre o tema e, portanto, está mais preparada para opinar através do voto sobre a seguinte questão:

Dentre os candidatos ou partidos políticos qual será a melhor proposta de governo sobre este tema tão importante?

O que localizei de mais próximo:

Há três tipos de levantamentos que tangenciam esse tema, mas não respondem exatamente à sua pergunta:

  • Pesquisas sobre educação financeira e noções de finanças pessoais, que mostram baixo nível de formação básica em temas econômicos entre os brasileiros, o que sugere, indiretamente, pouco repertório para compreender orçamento público.
  • Pesquisas de opinião sobre gasto público (por exemplo, percepção de que o governo gasta demais, mal, ou acima do que arrecada), que captam juízos de valor e nível de preocupação, mas não testam conhecimento factual sobre o orçamento federal (itens de despesa, regras, limites etc.).
  • Levantamentos oficiais como a POF - Pesquisa de Orçamentos Familiares (IBGE), que estudam o orçamento das famílias, e não o conhecimento delas sobre o orçamento do governo.​​

Em ano eleitoral, esse diagnóstico é especialmente relevante porque expõe os limites reais de qualquer promessa de campanha. Com mais de 90% das despesas primárias comprometidas com gastos obrigatórios, candidatos a cargos executivos e legislativos dispõem de uma margem de manobra muito estreita para propor novas políticas sem mexer nas regras estruturais do orçamento. Ao mesmo tempo, o relatório a seguir evidencia o crescente poder do Congresso Nacional via emendas parlamentares - que já representam até 27% das despesas discricionárias -, tornando o Legislativo um ator central na definição de onde o dinheiro público efetivamente chega. Compreender essa arquitetura orçamentária é, portanto, condição essencial para avaliar com responsabilidade as propostas que serão apresentadas ao longo de 2026.

Nas últimas três décadas, o orçamento federal brasileiro tornou-se cada vez mais rígido e concentrado em gastos obrigatórios. Previdência Social e Assistência Social juntas consomem entre 40% e 45% de todo o orçamento, enquanto os juros e amortizações da dívida pública respondem por outros 42% do orçamento executado em 2025 - valor que supera, isoladamente, tudo o que o país gasta com saúde e educação combinados. Esse modelo deixa uma margem mínima para investimentos e políticas discricionárias, comprimindo a capacidade do Estado de agir fora do que já está constitucionalmente determinado.

Deste modo criei um artigo onde mostro que, nas últimas três décadas, o orçamento federal brasileiro tornou‑se crescentemente voltado a gastos obrigatórios, com forte peso de previdência, assistência social e serviço da dívida, o que reduz o espaço para investimentos e políticas discricionárias.

Ao longo de 1995-2023, o gasto público cresceu em proporção do PIB, alinhando‑se à chamada Lei de Wagner, com aumento contínuo da participação do Estado na economia. A despesa federal se organizou em três grandes blocos: despesas obrigatórias(previdência, funcionalismo, benefícios sociais), despesas discricionárias(investimentos e custeio) e despesas financeiras(juros e amortização da dívida). Nas décadas mais recentes, prevaleceu a expansão dos gastos obrigatórios e financeiros, enquanto o espaço relativo de investimentos e custeio discricionário se estreitou.

Em termos funcionais, o orçamento passou a ser dominado por quatro grandes grupos: proteção social(previdência e assistência), saúde, educação e serviços públicos gerais(que incluem juros da dívida). O gasto social e previdenciário cresceu de forma estrutural, impulsionado pelo envelhecimento populacional e pela ampliação de programas de transferência de renda, como Bolsa Família e Auxílio Emergencial. Paralelamente, despesas com serviços públicos gerais, especialmente juros da dívida, consolidaram‑se como uma das maiores rubricas do orçamento federal.

 

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